Encontro de casais na COF

       No passado domingo, dia oito de maio, realizou-se na Fundação Maria Mãe da Esperança, o terceiro encontro para casais, orientado pelo Sr. Padre Pedro Viva.

       Foi uma tarde de reflecção, convívio, partilha em casal e em grupo.

       Terminou com a celebração da Eucaristia, na qual cada um dos casais agradeceu a Deus a graça do seu matrimónio.

       Estiveram presentes oito casais, três dos quais, pela primeira vez.

       No final os casais mostraram alegria em ter participado.

 

Via Lucis no Espaço Orante da Natureza

      No passado domingo, dia 1 de maio, tivemos a graça e a alegria de mais uma vez rezarmos a Via Lucis, no Espaço Orante na Natureza, Bouça, Arrimal.

       O Sr. Padre Pedro Viva, nosso Conselheiro Espiritual, esteve connosco e orientou a oração.

       É sempre gratificante, visitar este local e muito mais para rezar. Este espaço foi doado à Fundação Maria Mãe da Esperança pelo nosso saudoso Padre Manuel.

       A Via Lucis é um pequeno livro composto pelo Padre Manuel. Leva-nos a comtemplar a Ressurreição de Jesus e ajuda-nos a fazer a ligação entre os vários momentos da Sua vida Gloriosa e da vida dos Pastorinhos de Fátima.

       Obrigado ao Sr. Pe Pedro e a todas os que participaram.

Evangelho de Domingo de Ramos

Evangelho do Domingo de Ramos (Lc 22,14-23,56)

Neste último domingo da Quaresma, o Evangelho narra as últimas horas de Jesus, desde a Última Ceia, com os Apóstolos, até à morte na Cruz, passando por toda a Sua Paixão, de agonia e sofrimento.

Somos levados a acompanhar o Senhor, neste percurso voluntário de entrega da Sua vida, por amor a toda a humanidade, até à Sua morte, suspenso na Cruz. Para os que ainda não encontraram Jesus Ressuscitado tudo acabou aqui, neste madeiro. Foi um projeto fracassado, uma utopia de um homem bom e bem-intencionado, que não resistiu à sua morte, como tantos outros ideais que não passaram disso mesmo. No entanto, para os cristãos, esta Cruz é o princípio! O início de um tempo novo, marcado pela certeza na Ressurreição e do nascimento do homem novo, com a condição de filho adotivo de Deus, pela fé em Jesus Cristo, Seu Filho unigénito, que entre nós se fez irmão na carne, e nos redimiu pelo sacrifício da Cruz.

A contemplação da Cruz, com frequência nos leva a reviver todo este Mistério da vida de Jesus, desde o Seu nascimento no presépio de Belém.

Nesse olhar retrospetivo, é interessante notar que ao longo da Sua vida, até à Sua morte na Cruz, a madeira, que já foi árvore frondosa ou arbusto rasteiro, sempre esteve presente de algum modo. No nascimento, foi deitado numa manjedoura, que poderia ser de pedra ou argila, mas, que segundo a tradição, seria de madeira. Já desde o século sétimo se refere a existência de uma relíquia, um pedaço de madeira, que faria parte desta manjedoura e que se encontrava na Basílica de Santa Maria Maggiore, em Roma, e que em 2019 foi oferecida pelo Papa Francisco à Igreja de Santa Catarina, em Belém.

Depois, apesar de termos pouca informação anterior ao início da Sua vida pública, o Evangelho diz-nos que Jesus terá sido como S. José, seu pai legal, também carpinteiro (cf. Mc 6, 3), isto é, um artesão que trabalhava a madeira.

Não deixa de ser interessante verificar este paralelo da ciência e sabedoria de Jesus, enquanto carpinteiro, por um lado, para construir coisas belas e úteis a partir de madeira originalmente tosca, que é aplainada e trabalhada como só o Mestre sabe, e por outro com aquilo que faz connosco, também. Nos que se deixam aperfeiçoar por Jesus, que vivem segundo a Sua vontade, também Ele faz maravilhas, ainda que sejam madeira com muitos nós e imperfeições. Para Jesus, não há tronco que não sirva e que não se possa transformar em objeto nobre, de belo acabamento.

Jesus partiu para o Céu, mas deixou-nos a Sua Igreja assistida pelo Espírito Santo, que pode ser comparada a uma carpintaria, onde não faltam bons operários e todas as ferramentas apropriadas para continuar a Sua obra: a Sua Palavra e os Sacramentos.

Saibamos todos deixar-nos transformar por estes instrumentos do Seu amor, para que o nosso coração se vá tornando como arca bela, sem defeito, digna da presença de Deus, para que não tenha sido em vão o sacrifício de Nosso Senhor Jesus Cristo, no madeiro da Cruz.

 

Para ajudar a contemplar o Mistério da morte e Ressurreição de Jesus, ao longo da Semana Santa, convidamos a meditar a Paixão do Senhor, com a ajuda do poema “O Servo Sofredor” do Sr. Pe. Manuel, e da pintura “Cristo na Cruz” de Diego Vélazquez. Esta pintura apresenta a crucificação de uma forma despojada de elementos que distraiam o observador, concentrando-se apenas em Jesus. O Senhor está envolvido na escuridão dos pecados da humanidade, realçando a luz que d´Ele emana, símbolo da Sua divindade e futura Ressurreição.

 

“Cristo na Cruz”, de Diego Vélazquez

 

O Servo Sofredor

Jesus,
O mais belo dos filhos dos homens,
perdeu toda a graça e encanto.
Jesus,
que atraía a si as multidões,
sente-se agora abandonado,
até dos seus maiores amigos.
Desprezado,
considerado como um verme
e não um homem!
Todos desviam d´Ele o olhar!
Experimentou o sofrimento,
até ficar reduzido à condição
de verdadeiro farrapo humano.
Jesus,
O Homem cheio de energia e vigor,
transformou-Se no Homem das dores!
Tomou sobre Si,
as angústias, os males e os pecados,
de toda a Humanidade.
Jesus,
que não havia cometido iniquidade alguma,

 

carregou sobre Si,
a iniquidade de todos nós
e foi tratado,
como se fora a escória da Humanidade.
Foi maltratado e não abriu a boca…
Foi condenado,
sem que ninguém defendesse a Sua causa.
Jesus,
que passara a vida a fazer o bem,
foi igualado na morte aos malfeitores.
Jesus,
O Justo,
sendo de condição divina,
assumiu a condição de servo.
Ele próprio,
entregou livremente a Sua vida,
para justificação de muitos.
Fez-se obediente até à morte
e morte de cruz.
Foi nas Suas chagas que fomos curados!

(Com base em Is. 53 e Fil. 2)

 

Evangelho do quinto domingo da Quaresma

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João

Naquele tempo, Jesus foi para o Monte das Oliveiras. Mas de manhã cedo, apareceu outra vez no templo, e todo o povo se aproximou d’Ele.

Então sentou-Se e começou a ensinar. Os escribas e os fariseus apresentaram a Jesus uma mulher surpreendida em adultério, colocaram-na no meio dos presentes e disseram a Jesus:

«Mestre, esta mulher foi surpreendida em flagrante adultério. Na Lei, Moisés mandou-nos apedrejar tais mulheres. Tu que dizes?».

Falavam assim para Lhe armarem uma cilada e terem pretexto para O acusar. Mas Jesus inclinou-Se e começou a escrever com o dedo no chão.

Como persistiam em interrogá-l’O, ergueu-Se e disse-lhes:

«Quem de entre vós estiver sem pecado atire a primeira pedra».

Inclinou-Se novamente e continuou a escrever no chão. Eles, porém, quando ouviram tais palavras, foram saindo um após outro, a começar pelos mais velhos, e ficou só Jesus e a mulher, que estava no meio.

Jesus ergueu-Se e disse-lhe: «Mulher, onde estão eles? Ninguém te condenou?».

Ela respondeu: «Ninguém, Senhor».

Disse então Jesus: «Nem Eu te condeno. Vai e não tornes a pecar».

 

Reflexão

Os fariseus e os doutores da Lei procuravam armar uma cilada a Jesus, confrontando-O com a Sua fidelidade à Lei, que neste caso previa a morte por apedrejamento.

Jesus pregava o Seu Evangelho do amor e do anúncio do Reino, assente na prática do perdão e misericórdia. Não podia por isso aceitar uma Lei que em nome de Deus, condenava à morte em vez de chamar à conversão – Deus detesta o pecado, mas ama o pecador!  Por outro lado, não podia simplesmente perdoar a mulher, porque isso implicaria contrariar a Lei, como pretendiam os fariseus que fizesse, na sua malícia.

Então, Jesus, na sua pedagogia divina, vai ensiná-los a olharem primeiro para si mesmos, para que percebam que são também pecadores e por isso não têm o direito de condenar ninguém. De olhos no chão faz uma pausa e interpela: «Quem de entre vós estiver sem pecado atire a primeira pedra».  E eles em resposta “foram saindo um após outro”, não sabemos se de coração aberto ou ainda fechados ao amor.

Finalmente, Jesus olha para a mulher e diz-Lhe; «Vai e não tornes a pecar». Indica-lhe o caminho do perdão, que leva à conversão.

Na mulher e nos fariseus deste episódio, também nos revemos, na infidelidade, no pecado e falta de compaixão. Que saibamos por isso, fazer neste tempo de Quaresma, um tempo privilegiado de mudança, para que o Senhor Ressuscitado nos encontre mais preparados para o acolher, amar e servir, como é de Sua vontade.

 

A vista deste episódio pelos olhos de um pintor

Como ajuda para a meditação desta leitura, sugerimos a observação atenta da pintura de Palma il Vecchio, “O Cristo e a Adúltera”.

Esta pintura retrata este episódio de forma criativa, já que se afasta da dinâmica do relato, tal como ele nos é apresentado no Evangelho.

A imagem é composta por cinco personagens: Jesus, a mulher adúltera e três fariseus. No centro está Jesus, que não olha para nenhum deles, antes fixa em nós um olhar que interpela e espera uma resposta. Jesus está a perguntar o que o coração nos diz: se também nós estamos prontos a atirar pedras, como os fariseus, ou se como Ele vivemos no amor e procuramos o perdão.

O ancião que está no primeiro plano, tem o rosto parcialmente na sombra e acusa a mulher, mas sem a olhar. Tem os olhos postos no Céu, numa atitude de superioridade, de quem se acha mandatado por Deus para julgar. A mulher tem uma expressão sobretudo de tristeza e arrependimento, mas sem receio, a que não será indiferente a expressão calma e gentil de Jesus. As restantes personagens estão na sombra e seguem as restantes com o olhar, não intervindo. São almas mornas que não se definem e esperam para ver a atitude de Jesus.